terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Go on

"My soul is painted like the wings of butterflies
Fairy tales of yesterday will grow but never die
I can fly, my friends."

-The Queen

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Inapropriado

Sai de trás da franja, mulher.
Esse teu olhar, já decifrei, já consumi.
Sem convite entrei, e quero morar.
E vou.

Aumentei meus vícios
quando meu real vício é você
Numa distância velada que quero acabar
me dizes inapropriado quando quero me apropriar.

Minhas letras são simples, meu soneto é invertido
me fazes pensar quando o corpo se faz doído.
Pula de trás da franja, eu seguro.

Se não saíres, eu espero.
Ainda uso de todos os pronomes possessivos com você
Ainda tenho um monte no nosso dicionário.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A cidade que eu quero

Eu tenho um sonho,
um sonho que defendo com água do olho:
sonho ver brotar verde no morro
para espalhar branco no asfalto.

Noto as casinhas lá em cima e anoto a monotonia,
quebrada pelas notas do samba entoadas com alegria.
Desenhando na tela do antagonismo um sorriso.
No traço da cidade favela que tem peso de iguaria.

Iguaria que até estrangeiro compra.
Leva pra casa e põe na prateleira.
Aqui, à espera de alguém levar, a prateleira fica vazia.

Cidade favela que sorri para todo mundo,
abre os braços que Cristo deu em meio ao verde, branco e rosa,
onde promessa é mais cotada que papel
pela moeda de troca mais valida, se levanta as mãos pro céu.







segunda-feira, 20 de setembro de 2010

História

tu és
começo
meio
fim
meu fim
te arrancar sorrisos
sem fim

terça-feira, 8 de junho de 2010

Saudade



Saudade.
Recordação, ausência, nostalgia, falta, querer
tudo isso é saudade.

Dizem ser temporal
eu já discordo, é calmaria;
mas (a)tormenta igual.

Nega que somos parte
nos faz conteúdo
continente
móveis

À momentos
que de tão nossos
constituem hum.
É de que somos feitos

terça-feira, 18 de maio de 2010

Piegas


Amo a boba menina que dança no chão de terra
e não toma Merlot
Mesma menina que me prende entre as pernas
e deixa (me) os braços soltos
Aquela que me cobra as pegadas
e me guia pelo braço
é a mesma que me faz piegas
quando digo amar.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009


Chop, chop, chop...

Sempre pensei que ser sozinho era melhor.

Sempre pensei melhor sozinho.

Chop...

Nunca fui muito apegado as pessoas, as achava entediantes. Achava que uma relação interpessoal nunca era lá muito espontânea – chop – mas até que considerava agradável até seus primeiros momentos. Depois – chop – vinha a cobrança e aguava as coisas.

Chop, chop...

Me forcei a mudar.

Chop...

Meus amigos tinham amigos, e por serem “amigos” já eram amigos, afinal.

Tornei-me amigo. Amiguei-me as pessoas, as coisas, as plantas – estas eram mais caladas – e das hortaliças nunca fui muito amigo mesmo.

Chop, chop, chop...

Dos animais sim, destes sempre gostei. De amizade verdadeira. Nunca te cobram – chop – nada, nunca te tiram nada. Concorda, Eurípedes?

Devolve meu sanduíche, devolve, vem cá!

Ê bicho do inferno. Devia estar com fome, pobre diabo. Bem, eu com fome faria o mesmo.

Chop, chop...

Como são próximos, o bicho e o homem.

A bem da verdade acho que as coisas começaram a desandar quando o homem começou a ficar parecido com o animal, começou a agir feito tal.

Chop, chop, chop...

Sempre achei mesmo que era melhor manter-me sozinho...

Chop...

O que chamam de solidão nunca me incomodou muito. E o que eu chamo de solidão até me agrada.

De qualquer – chop – forma, como eu bem contava, havia me tornado mais receptivo e já me acostumara a dividir risadas, choros – chop...

Mas parecia que essa solidão já era inerente, então as pessoas se deram a afastar. Não era intencional, e mais parecia uma prenda que eu havia de pagar por um dia querer ser sozinho.

As pessoas não entendiam minha justiça em meio a discussões tão tolas que faziam da minha justiça razoável, onde não havia qualquer razão.

Chop...

Exaltava-me com as pessoas, coisas, plantas, hortaliças – como eu odeio as hortaliças! E passei a ver razão novamente em ficar só.

Chop...

Hoje já não vejo tanta razão. A começar pela lenha, que não seria eu a – chop – cortar; o sanduíche que eu não teria de fazer – se bem que se eu alimentasse o cão também não teria; o mundo que eu não teria de pôr somente em meus ombros.

E finalmente talvez não estivesse – chop – aqui. Rodeado de um silêncio ensurdecedor, onde o vazio te abraça a ponto de sufocar.


A lenha é pesada, mas agora tenho calor, ainda que inumano.

Screeech...

Tenho que pôr óleo nas dobradiças...

Se faz sólida, agora, a solidão...


...clank...

Tu...tu...tu....

Alô...mãe?...