segunda-feira, 20 de setembro de 2010

História

tu és
começo
meio
fim
meu fim
te arrancar sorrisos
sem fim

terça-feira, 8 de junho de 2010

Saudade



Saudade.
Recordação, ausência, nostalgia, falta, querer
tudo isso é saudade.

Dizem ser temporal
eu já discordo, é calmaria;
mas (a)tormenta igual.

Nega que somos parte
nos faz conteúdo
continente
móveis

À momentos
que de tão nossos
constituem hum.
É de que somos feitos

terça-feira, 18 de maio de 2010

Piegas


Amo a boba menina que dança no chão de terra
e não toma Merlot
Mesma menina que me prende entre as pernas
e deixa (me) os braços soltos
Aquela que me cobra as pegadas
e me guia pelo braço
é a mesma que me faz piegas
quando digo amar.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009


Chop, chop, chop...

Sempre pensei que ser sozinho era melhor.

Sempre pensei melhor sozinho.

Chop...

Nunca fui muito apegado as pessoas, as achava entediantes. Achava que uma relação interpessoal nunca era lá muito espontânea – chop – mas até que considerava agradável até seus primeiros momentos. Depois – chop – vinha a cobrança e aguava as coisas.

Chop, chop...

Me forcei a mudar.

Chop...

Meus amigos tinham amigos, e por serem “amigos” já eram amigos, afinal.

Tornei-me amigo. Amiguei-me as pessoas, as coisas, as plantas – estas eram mais caladas – e das hortaliças nunca fui muito amigo mesmo.

Chop, chop, chop...

Dos animais sim, destes sempre gostei. De amizade verdadeira. Nunca te cobram – chop – nada, nunca te tiram nada. Concorda, Eurípedes?

Devolve meu sanduíche, devolve, vem cá!

Ê bicho do inferno. Devia estar com fome, pobre diabo. Bem, eu com fome faria o mesmo.

Chop, chop...

Como são próximos, o bicho e o homem.

A bem da verdade acho que as coisas começaram a desandar quando o homem começou a ficar parecido com o animal, começou a agir feito tal.

Chop, chop, chop...

Sempre achei mesmo que era melhor manter-me sozinho...

Chop...

O que chamam de solidão nunca me incomodou muito. E o que eu chamo de solidão até me agrada.

De qualquer – chop – forma, como eu bem contava, havia me tornado mais receptivo e já me acostumara a dividir risadas, choros – chop...

Mas parecia que essa solidão já era inerente, então as pessoas se deram a afastar. Não era intencional, e mais parecia uma prenda que eu havia de pagar por um dia querer ser sozinho.

As pessoas não entendiam minha justiça em meio a discussões tão tolas que faziam da minha justiça razoável, onde não havia qualquer razão.

Chop...

Exaltava-me com as pessoas, coisas, plantas, hortaliças – como eu odeio as hortaliças! E passei a ver razão novamente em ficar só.

Chop...

Hoje já não vejo tanta razão. A começar pela lenha, que não seria eu a – chop – cortar; o sanduíche que eu não teria de fazer – se bem que se eu alimentasse o cão também não teria; o mundo que eu não teria de pôr somente em meus ombros.

E finalmente talvez não estivesse – chop – aqui. Rodeado de um silêncio ensurdecedor, onde o vazio te abraça a ponto de sufocar.


A lenha é pesada, mas agora tenho calor, ainda que inumano.

Screeech...

Tenho que pôr óleo nas dobradiças...

Se faz sólida, agora, a solidão...


...clank...

Tu...tu...tu....

Alô...mãe?...

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Vontade

Eu quero tudo.
Eu quero todos.
Quero Você.
Vocês.
Não que seja gula, ainda que tenha fome.
Não que seja egoísmo, ainda que abrace o mundo.

Quero os que são meus, sorrindo.
E os quero quando forem chorar.
Abraço o mundo...
Posso abraçar um choro.

Quero cores num mundo preto e branco!
E que o preto e o branco esqueçam das cores.
Toda a paz já é amor, só falta a prática.

Quero álcool!
E tabaco, pois sim....
Quero viver!
Ainda que absurdo!

Quero vida.
Simples.
Quero amor guloso, egoísta.
Quero Você.
Vocês....



É simples, mas tão meu....


quarta-feira, 29 de julho de 2009

Seis Silentes

Eu nunca havia me questionado o porque de ter dito o que disse, pelo menos não até agora.
Acho que ela nunca me deixou afinal de contas. De fato sinto que fui eu quem a deixou quando deixei de dizer tudo que podia dizer, tudo que tinha de dizer, ainda que não pudesse dizer naquele tempo. Hoje o tempo é outro e sua justiça se fez ao longo de meu silêncio, que foi abafado por falsas esperanças de um matrimônio quando este se fez tortuoso.
Disse que a amava. Isso há 6 anos - parece pouco, mas no fuso-horário canino conta-se 42 anos - de vontade de um abraço dela.

Hoje dei meu último beijo em minha companheira. Na testa. Espero que seja feliz.

Parto em busca, pois, de minha paixão do passado, que espero tornar vindoura, afinal, "O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente.", quem dizia isso mesmo? Acho que era Quintana...Isso, ele mesmo!
Eu devia ter dito mais naquela noite em que conversávamos. Disse que a amava. Grande coisa quando se fala em tom jocoso! Ela riu. Óbvio. Ri em solidariedade; mais a mim do que a ela. Mas quando deu-se o silêncio, nos fitamos por uns 2 meses - de acordo com o fuso-horário canino; de modo a enrubescer-nos a face num constrangimento que duraria anos. E desconversamos.
Qual pretensão a minha em querer vê-la. Nem ao menos sei se vai me reconhecer. Aposto que não pensara em mim nem um só instante nesses anos. Não se lembrou de mim, e não lembrará. Não lhe comprei flores. Não sei o que direi. Acho que deveria ter posto um terno. Não, formal demais. Um paletó, talvez. Não, querendo parecer mais moço. Ah, vai ser do jeito que está! Diabos! Pareço um adolescente recém alforriado da puberdade.
A despeito de meu tolo nervosismo noto a proximidade da cafeteria onde ela sempre passava as tardes. Tenho a esperança de encontrá-la aqui. Saio do Galaxy que guardo feito jóia desde a época em que a conheci, em direção a varanda da cafeteria, com meus olhos fitando a fivela do meu sapato - que deveria ter lustrado - com uma timidez que me era peculiar aos doze.
Passo pela varanda e esbarro em um garçom que usava um perfume de gengibre e derrubava café em uma senhora. Não peço desculpas. Ele o faz. Entro no estabelecimento e crio coragem para levantar o olhar. Não mudara muito. Tirando as cortinas e os clientes - costumávamos rir, eu e ela, do quão blasé eles eram. Até o velho Duque ainda dormia no mesmo canto. Ainda cultivava o mesmo pêlo seco e cores vibrantes, que já não eram tão vibrantes, pobre bichano.
Corro o olhar por todo o local e nada. Chego a sentar, tomar um café, ensaiar acender um prego, quando lembro que não é permitido fumo dentro do estabelecimento - lembro que foi uma prática paulista na época. Saio, pois, e paro pitando na varanda. Qual não foi minha surpresa ao reconhecê-la ali, sentada na mesma varanda que ignorei. Não mudara nada. Ainda com a mania de fitar o vazio. E de sandálias. Sempre usara sandálias, e lhe caía bem esse ar despreocupado, de unhas bem feitas.
Não demorou e como que por intervenção divina nossos olhares se cruzaram, afinal, o mesmo garçom esbarrara novamente em mim, e desta vez o café me foi de direito. Me recompunha e já sentia seu sorriso. Como era quente esse sorriso - ou era o café?
Ela se ergueu enquanto ia eu em sua direção. Mais uma vez o silêncio foi nosso anfitrião, este que foi quebrado com palavras dela:
- Pensava em você.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Casa(r)

Penso em casa.
Penso em louça.
Penso em TV.
Penso em domingo.
Penso em cachorro.
Penso em crianças.
Correndo.
Penso em você.


     Não negue o que sinto por ti e minha vontade de sentir pra sempre. Conjuguei-me a você desde o início e não foi por motivo menor que o amor.