segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Calcanhar

Minha lucidez vem carregada de um câncer indolor que só mancha meus olhos de olheiras que julgo desnecessárias. Os tumores de que falo e quase me levam a um naturalismo que recorro em certas palavras têm razão de sorriso que faz chorar. Chora, cão de rua.
Meu apego é meu calcanhar que um Aquiles já feriu, fez que não doeu, e hoje é prenda que o resto paga para um dia sonhar sorrir. Eu não sou Aquiles, eu não sou aquilo, eu não sou nem este que vos fala; quem o faz se perde nos nomes, tanto nos seus quanto dos que já amou.
Triste é ser feliz em dose homeopática, paleativa. Um nobre amigo ensaiou sobre felicidade e a distinguiu de diversão magistralmente. Ser feliz é viver, divertir-se é estar. Paleativamente me acendo um cigarro e penso no quão indolor isso pode ser. Mais para a frente eu descubro.
Carregamos parte do que já vivemos para construir nosso todo. Guardamos em uma bolsa que carregamos para todo canto e vira e mexe a perdemos em outros cantos para outros todos. Eu guardo debaixo da cama e meu bicho-papão visita todo dia. Hoje, tomamos café todas as terças, eu e o papão - ele não fala muito.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Go on

"My soul is painted like the wings of butterflies
Fairy tales of yesterday will grow but never die
I can fly, my friends."

-The Queen

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Inapropriado

Sai de trás da franja, mulher.
Esse teu olhar, já decifrei, já consumi.
Sem convite entrei, e quero morar.
E vou.

Aumentei meus vícios
quando meu real vício é você
Numa distância velada que quero acabar
me dizes inapropriado quando quero me apropriar.

Minhas letras são simples, meu soneto é invertido
me fazes pensar quando o corpo se faz doído.
Pula de trás da franja, eu seguro.

Se não saíres, eu espero.
Ainda uso de todos os pronomes possessivos com você
Ainda tenho um monte no nosso dicionário.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A cidade que eu quero

Eu tenho um sonho,
um sonho que defendo com água do olho:
sonho ver brotar verde no morro
para espalhar branco no asfalto.

Noto as casinhas lá em cima e anoto a monotonia,
quebrada pelas notas do samba entoadas com alegria.
Desenhando na tela do antagonismo um sorriso.
No traço da cidade favela que tem peso de iguaria.

Iguaria que até estrangeiro compra.
Leva pra casa e põe na prateleira.
Aqui, à espera de alguém levar, a prateleira fica vazia.

Cidade favela que sorri para todo mundo,
abre os braços que Cristo deu em meio ao verde, branco e rosa,
onde promessa é mais cotada que papel
pela moeda de troca mais valida, se levanta as mãos pro céu.







segunda-feira, 20 de setembro de 2010

História

tu és
começo
meio
fim
meu fim
te arrancar sorrisos
sem fim

terça-feira, 8 de junho de 2010

Saudade



Saudade.
Recordação, ausência, nostalgia, falta, querer
tudo isso é saudade.

Dizem ser temporal
eu já discordo, é calmaria;
mas (a)tormenta igual.

Nega que somos parte
nos faz conteúdo
continente
móveis

À momentos
que de tão nossos
constituem hum.
É de que somos feitos

terça-feira, 18 de maio de 2010

Piegas


Amo a boba menina que dança no chão de terra
e não toma Merlot
Mesma menina que me prende entre as pernas
e deixa (me) os braços soltos
Aquela que me cobra as pegadas
e me guia pelo braço
é a mesma que me faz piegas
quando digo amar.