quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Vontade

Eu quero tudo.
Eu quero todos.
Quero Você.
Vocês.
Não que seja gula, ainda que tenha fome.
Não que seja egoísmo, ainda que abrace o mundo.

Quero os que são meus, sorrindo.
E os quero quando forem chorar.
Abraço o mundo...
Posso abraçar um choro.

Quero cores num mundo preto e branco!
E que o preto e o branco esqueçam das cores.
Toda a paz já é amor, só falta a prática.

Quero álcool!
E tabaco, pois sim....
Quero viver!
Ainda que absurdo!

Quero vida.
Simples.
Quero amor guloso, egoísta.
Quero Você.
Vocês....



É simples, mas tão meu....


quarta-feira, 29 de julho de 2009

Seis Silentes

Eu nunca havia me questionado o porque de ter dito o que disse, pelo menos não até agora.
Acho que ela nunca me deixou afinal de contas. De fato sinto que fui eu quem a deixou quando deixei de dizer tudo que podia dizer, tudo que tinha de dizer, ainda que não pudesse dizer naquele tempo. Hoje o tempo é outro e sua justiça se fez ao longo de meu silêncio, que foi abafado por falsas esperanças de um matrimônio quando este se fez tortuoso.
Disse que a amava. Isso há 6 anos - parece pouco, mas no fuso-horário canino conta-se 42 anos - de vontade de um abraço dela.

Hoje dei meu último beijo em minha companheira. Na testa. Espero que seja feliz.

Parto em busca, pois, de minha paixão do passado, que espero tornar vindoura, afinal, "O passado não reconhece o seu lugar: está sempre presente.", quem dizia isso mesmo? Acho que era Quintana...Isso, ele mesmo!
Eu devia ter dito mais naquela noite em que conversávamos. Disse que a amava. Grande coisa quando se fala em tom jocoso! Ela riu. Óbvio. Ri em solidariedade; mais a mim do que a ela. Mas quando deu-se o silêncio, nos fitamos por uns 2 meses - de acordo com o fuso-horário canino; de modo a enrubescer-nos a face num constrangimento que duraria anos. E desconversamos.
Qual pretensão a minha em querer vê-la. Nem ao menos sei se vai me reconhecer. Aposto que não pensara em mim nem um só instante nesses anos. Não se lembrou de mim, e não lembrará. Não lhe comprei flores. Não sei o que direi. Acho que deveria ter posto um terno. Não, formal demais. Um paletó, talvez. Não, querendo parecer mais moço. Ah, vai ser do jeito que está! Diabos! Pareço um adolescente recém alforriado da puberdade.
A despeito de meu tolo nervosismo noto a proximidade da cafeteria onde ela sempre passava as tardes. Tenho a esperança de encontrá-la aqui. Saio do Galaxy que guardo feito jóia desde a época em que a conheci, em direção a varanda da cafeteria, com meus olhos fitando a fivela do meu sapato - que deveria ter lustrado - com uma timidez que me era peculiar aos doze.
Passo pela varanda e esbarro em um garçom que usava um perfume de gengibre e derrubava café em uma senhora. Não peço desculpas. Ele o faz. Entro no estabelecimento e crio coragem para levantar o olhar. Não mudara muito. Tirando as cortinas e os clientes - costumávamos rir, eu e ela, do quão blasé eles eram. Até o velho Duque ainda dormia no mesmo canto. Ainda cultivava o mesmo pêlo seco e cores vibrantes, que já não eram tão vibrantes, pobre bichano.
Corro o olhar por todo o local e nada. Chego a sentar, tomar um café, ensaiar acender um prego, quando lembro que não é permitido fumo dentro do estabelecimento - lembro que foi uma prática paulista na época. Saio, pois, e paro pitando na varanda. Qual não foi minha surpresa ao reconhecê-la ali, sentada na mesma varanda que ignorei. Não mudara nada. Ainda com a mania de fitar o vazio. E de sandálias. Sempre usara sandálias, e lhe caía bem esse ar despreocupado, de unhas bem feitas.
Não demorou e como que por intervenção divina nossos olhares se cruzaram, afinal, o mesmo garçom esbarrara novamente em mim, e desta vez o café me foi de direito. Me recompunha e já sentia seu sorriso. Como era quente esse sorriso - ou era o café?
Ela se ergueu enquanto ia eu em sua direção. Mais uma vez o silêncio foi nosso anfitrião, este que foi quebrado com palavras dela:
- Pensava em você.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Casa(r)

Penso em casa.
Penso em louça.
Penso em TV.
Penso em domingo.
Penso em cachorro.
Penso em crianças.
Correndo.
Penso em você.


     Não negue o que sinto por ti e minha vontade de sentir pra sempre. Conjuguei-me a você desde o início e não foi por motivo menor que o amor.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Tentativas

Erro
1. Ato de errar. 2. Equívoco, engano. 3. Inexatidão. 4. Uso impróprio ou indevido. 5. Apartamento da honestidade ou da justiça. 6. Desregramento, mau comportamento. 7 Conceito equívoco ou juízo falso. 8Doutrina falsa. 9 Culpa, falta. 10 Prevaricação. 11 Abuso. 12Tip Tudo o que não confere com o original.
      
      Erro porque sou humano e dizem que é do homem errar. É do homem, pois, o perdão. Mas minha escrita não pede perdão, vem para afirmar que sou homem, que erro. O que para mim mais parece uma tentativa de aceitar, e não de provar alguma coisa, quando antes a tentativa era de manter-me afastado dos erros. 
      Não que me incline a perfeição, mas quando ouvimos que somos a imagem e semelhança de um sujeito tão eminente, não acho que caso eu o fizesse tal ato seria condenável. Ele não errou, eu sim. Eu e todos que um dia tentaram atirar alguma pedra. 
    E o que em nome de Deus faz do meu erro maior que o dos outros? Por que diabos minha consciência não me deixa ter paz? Simples. Meu erro causou dor, lágrimas e lágrimas na pessoa mais bela do mundo, a mais pura, a única que eu não tinha o direito de machucar. E eu o fiz.
       Hoje tenho a mim como morto. Um homem com sua ideologia em pedaços é um homem morto. O que me resta é a reconstrução. Retomar minha ideologia e talvez pôr um curativo na rachadura de minha integridade. A tentativa - e é só de que sou feito, de tentativas - de ter o que tinha antes, mesmo sabendo que não é provável - nunca me acostumei a usar o verbete "impossível", mesmo sabendo que no caso é a melhor opção. Reaver minha inteireza moral e um tantinho de confiança. Mas essa já não é minha.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Reticente

     Perdi um pedaço de mim. A parte que representava os sonhos, planos, sorrisos, lágrimas, sorrisos. Tudo encontra-se em pedaços agora. Tudo em silêncio aqui dentro. Acordar só não é mais difícil que dormir - e como era bom acordar ao lado dela. Perdoem se me pareço desconexo na escrita, mas ainda é difícil me organizar sem ela, afinal, ela o fazia. 
        Organizar-me...Parecia mais simples com ela.
     Odeio a efemeridade das coisas! Nosso "pra sempre" era tão real que me esqueci de que ele acabaria, afinal, é como as coisas são, não é verdade? O gajo que criou o efémero não era muito de se apaixonar, não era feliz...Portanto fez questão de que ninguém mais fosse.
     Catar os cacos...Como se faz isso? E depois que eu fizer? Devo guardá-los e quiçá me cortar? Ou jogo fora uma vida de duas almas nadando num aquário? - Silêncio - Por mais que esteja perdido, essa é fácil de responder. Essas duas almas ainda têm muito a nadar.
     
     O mais difícil é o silêncio. O silêncio de um domingo. O silêncio da solidão.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Despreocupação

     Certa vez fui questionado sobre a tranquilidade. Não minha, por favor. Mas a tranquilidade em si, dessas que você põe aspas em volta, mas eu cismo em não pôr. Para tal dissertação, ou qualquer coisa parecida que comece com parágrafo e termine em ponto, acabei por abalar a minha. 
    E como é frágil, não? Não posso mais usar do saudosismo e simplesmente parar e contemplar qualquer virtude ou virtuoso ambiente. O tempo, senhor do mundo já não é mais senhor nem dele, o homem o escravizou e acabou por sendo escravizado.
    A tranquilidade é o amor ao tempo. É o respeito ao passado, o deboche do futuro e gozo do presente. E quem a cria somos nós. Quando a única coisa que queremos é olhar para o horizonte até o sol desistir de nos encarar, quando o sorriso dos que amamos é o único alimento que precisamos. Quando nossos planos são tão sérios que podemos dizer "Ah, deixa para amanhã."! Quando marejamos os olhos ouvindo Jobim e lembramos que ainda temos toda uma vida pela frente.
     Não falo de ócio porque parece coisa de vagabundo - como se houvesse menos dignidade, mas canto à despreocupação. Despreocupa-te, homem, pois curta é a vida, e hemos de curtir! Livra-te do tempo e de suas amarras. E livra-te também dessas ordens, afinal quem sou eu para dá-las. Posso sugerir, quem sabe. 
   Falo em sussurro pois meus credores podem vir a ouvir. Que tal tomarmos alguma coisa? Saudarmos Noel e a boemia tão saudosa? "Quando eu morrer, não quero choro nem vela..." Isso eu já falo cantando, porque é um privilégio poder cantar à felicidade.
      
      

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Dois

    
- Amor, eu vim aqui para comer muito.
- Relaxa, amor, na pior das hipóteses você ainda pode abrir a calça.
        
        A tenho faz 3 anos, mas insistimos em chamar de 2. Nesse tempo ela tem me ensinado um bocado de coisas, dentre elas: paciência e responsabilidade, e que faço questão de esquecer.
      Dedico meus dias e noites, mais noites do que dias, à ela. E gosto disso. Pensamos em casamento, mesmo que isso vá contra toda a correnteza, mas o que é a correnteza quando meu porto seguro é ela? 
       Ah, Déborah, peço aos céus mais 2 anos, viu? Qual não seria minha arrogância pedindo a eternidade. Então, peço 2 agora, quando completarmos 3 anos, peço mais 3 anos, e assim vamos indo, nos amando, rindo e comendo bastante.