domingo, 8 de fevereiro de 2009

Tentativas

Erro
1. Ato de errar. 2. Equívoco, engano. 3. Inexatidão. 4. Uso impróprio ou indevido. 5. Apartamento da honestidade ou da justiça. 6. Desregramento, mau comportamento. 7 Conceito equívoco ou juízo falso. 8Doutrina falsa. 9 Culpa, falta. 10 Prevaricação. 11 Abuso. 12Tip Tudo o que não confere com o original.
      
      Erro porque sou humano e dizem que é do homem errar. É do homem, pois, o perdão. Mas minha escrita não pede perdão, vem para afirmar que sou homem, que erro. O que para mim mais parece uma tentativa de aceitar, e não de provar alguma coisa, quando antes a tentativa era de manter-me afastado dos erros. 
      Não que me incline a perfeição, mas quando ouvimos que somos a imagem e semelhança de um sujeito tão eminente, não acho que caso eu o fizesse tal ato seria condenável. Ele não errou, eu sim. Eu e todos que um dia tentaram atirar alguma pedra. 
    E o que em nome de Deus faz do meu erro maior que o dos outros? Por que diabos minha consciência não me deixa ter paz? Simples. Meu erro causou dor, lágrimas e lágrimas na pessoa mais bela do mundo, a mais pura, a única que eu não tinha o direito de machucar. E eu o fiz.
       Hoje tenho a mim como morto. Um homem com sua ideologia em pedaços é um homem morto. O que me resta é a reconstrução. Retomar minha ideologia e talvez pôr um curativo na rachadura de minha integridade. A tentativa - e é só de que sou feito, de tentativas - de ter o que tinha antes, mesmo sabendo que não é provável - nunca me acostumei a usar o verbete "impossível", mesmo sabendo que no caso é a melhor opção. Reaver minha inteireza moral e um tantinho de confiança. Mas essa já não é minha.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Reticente

     Perdi um pedaço de mim. A parte que representava os sonhos, planos, sorrisos, lágrimas, sorrisos. Tudo encontra-se em pedaços agora. Tudo em silêncio aqui dentro. Acordar só não é mais difícil que dormir - e como era bom acordar ao lado dela. Perdoem se me pareço desconexo na escrita, mas ainda é difícil me organizar sem ela, afinal, ela o fazia. 
        Organizar-me...Parecia mais simples com ela.
     Odeio a efemeridade das coisas! Nosso "pra sempre" era tão real que me esqueci de que ele acabaria, afinal, é como as coisas são, não é verdade? O gajo que criou o efémero não era muito de se apaixonar, não era feliz...Portanto fez questão de que ninguém mais fosse.
     Catar os cacos...Como se faz isso? E depois que eu fizer? Devo guardá-los e quiçá me cortar? Ou jogo fora uma vida de duas almas nadando num aquário? - Silêncio - Por mais que esteja perdido, essa é fácil de responder. Essas duas almas ainda têm muito a nadar.
     
     O mais difícil é o silêncio. O silêncio de um domingo. O silêncio da solidão.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Despreocupação

     Certa vez fui questionado sobre a tranquilidade. Não minha, por favor. Mas a tranquilidade em si, dessas que você põe aspas em volta, mas eu cismo em não pôr. Para tal dissertação, ou qualquer coisa parecida que comece com parágrafo e termine em ponto, acabei por abalar a minha. 
    E como é frágil, não? Não posso mais usar do saudosismo e simplesmente parar e contemplar qualquer virtude ou virtuoso ambiente. O tempo, senhor do mundo já não é mais senhor nem dele, o homem o escravizou e acabou por sendo escravizado.
    A tranquilidade é o amor ao tempo. É o respeito ao passado, o deboche do futuro e gozo do presente. E quem a cria somos nós. Quando a única coisa que queremos é olhar para o horizonte até o sol desistir de nos encarar, quando o sorriso dos que amamos é o único alimento que precisamos. Quando nossos planos são tão sérios que podemos dizer "Ah, deixa para amanhã."! Quando marejamos os olhos ouvindo Jobim e lembramos que ainda temos toda uma vida pela frente.
     Não falo de ócio porque parece coisa de vagabundo - como se houvesse menos dignidade, mas canto à despreocupação. Despreocupa-te, homem, pois curta é a vida, e hemos de curtir! Livra-te do tempo e de suas amarras. E livra-te também dessas ordens, afinal quem sou eu para dá-las. Posso sugerir, quem sabe. 
   Falo em sussurro pois meus credores podem vir a ouvir. Que tal tomarmos alguma coisa? Saudarmos Noel e a boemia tão saudosa? "Quando eu morrer, não quero choro nem vela..." Isso eu já falo cantando, porque é um privilégio poder cantar à felicidade.
      
      

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Dois

    
- Amor, eu vim aqui para comer muito.
- Relaxa, amor, na pior das hipóteses você ainda pode abrir a calça.
        
        A tenho faz 3 anos, mas insistimos em chamar de 2. Nesse tempo ela tem me ensinado um bocado de coisas, dentre elas: paciência e responsabilidade, e que faço questão de esquecer.
      Dedico meus dias e noites, mais noites do que dias, à ela. E gosto disso. Pensamos em casamento, mesmo que isso vá contra toda a correnteza, mas o que é a correnteza quando meu porto seguro é ela? 
       Ah, Déborah, peço aos céus mais 2 anos, viu? Qual não seria minha arrogância pedindo a eternidade. Então, peço 2 agora, quando completarmos 3 anos, peço mais 3 anos, e assim vamos indo, nos amando, rindo e comendo bastante.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

E Lá Vem o Novo Ano...

     Motivos para comemorar o novo ano que está por vir a gente até tem, se a gente levar a vida com o exclusivo otimismo que já vem no DNA do brasileiro. Eu já prefiro ser mais realista.
    Eu deveria celebrar o quê? Tubos de dinheiro que somem em bolsos - não mais apenas em bolsos - de pessoas que deveriam nos assegurar o futuro? Centenas de pessoas que perderam tuas casas pela força de uma natureza revoltada? A fome? Eu mesmo não tenho o que comer no momento, o caso é que eu posso resolver, é só jogar qualquer troço congelado de gorduras trans no microondas e pronto, mato quem me matava. Mas e eles? Curioso, né? Patrícias e Maurícios fazem de tudo para se livrar dessas gorduras trans, enquanto os famintos dariam um dedo mindinho por elas.
    É isso que eu tenho que esperar do próximo ano? É aí que entra o otimismo, pelo menos o meu. Sem ele o número de suicídios de pessoas conscientes seria absurdo - digo pessoas conscientes pois as alienadas são cegas e nem mesmo acertariam um tiro na testa. Esse otimismo induzido é uma das melhores ferramentas do mundo moderno para anestesiar-se e continuar vivendo.
    Eu não espero o caminhão do Faustão bater minha porta no ano que vem, mas quem sabe umas boas risadas, afinal, eu tenho um cão.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Palavras ao Pé do Ouvido

     Certa vez pensei no amor, no que seria isso, no porque necessitarmos de outro para nos completar - não venham com orgulho, pois todos necessitam. E vislumbrei não uma resposta, por mais que tenha servido como tal, vi, pois sim uma morena - que morena, se me permitem. De pronto lhe rabisquei algumas poucas palavras que saíram mais como besteirinhas ao pé do ouvido.

'bem, eu digo que amo, porque amo mesmo
no pleno sentido da palavra dita, sabe
formas, cores, sentidos e aromas teus
já são tão meus que me é peculiar a confusão

êta confusao gostosa
dessas em que a gente se pega e sorri
num sorriso gostoso que você sente a falta do outro
só pra compartilhar o momento tão sublime

tão doce, tão sincero
feito nosso amor, nossos amores
nossos momentos
risos, sorrisos, brigas, lágrimas
tão nossos
tão únicos
(...)

ah, as lagrimas...
as tenho pois te tenho
e te ter não leva a tê-las
mas não te ter sim, assim as tenho...
afinal, já chorei apenas ao olhar fixamente pra uma foto tua qualquer'

     E ela sorriu. Ela sempre sorria, sorria e me olhava com aqueles olhos que de todos os olhos foram os únicos que nunca consegui penetrar. Pelo contrário, eles é que o faziam.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Cigarro Amarelo

Ah, quando numa terça-feira, assim pela noite, dessas de ócio e cigarros, me foi questionado por meu pai de onde vinha tal aptidão pelas letras - regojizo sobre a presunção - afinal de quem havia herdado?. Respondi-lhe que tal habilidade havia se formado consoante a formação do pensamento, os interesses, e que não se adequa a coisas de sangue como havia conjecturado. Afirmei que as letras deveriam ser do homem, afinal, a fala o é, e que a expressão quando manchada sobre o branco do papel ganhava liberdade, mais que quando evidenciadas sobre a face desse mesmo homem.
Houve o silêncio. Era pesado, como se dois gigantes resolvessem se encarar. A era das concessões por minha parte havia acabado e ele sabia, ou suspeitava. Num misto de surpresa e satisfação - quão era orgulhoso - via-se a percepção de que seu filho havia por se tornado um homem feito, ou alguém deveras convencido. Como das duas lhe era satisfatório, resumiu-se apenas em balançar a cabeça, num gesto de compreensão.
Há de se esclarecer que nunca me dei com o velho, só conto o acontecido porque convencionei como curioso, no mínimo. Afinal, onde estava o descaso corriqueiro, a cordialidade de que compartilhava como se fosse um transeunte em minha casa. O caso é o recalque por pensar na relação estritamente - sem intransigência; às vezes não - financeira que estabelecera desde os anos em que eu contava como anos.
E lá permaneceu, assistindo a sua televisão e fumando seu cigarro amarelo. Tal qual inatingível, como um totem. O pior: notam a admiração ainda? Piegas, mas notável.
Ah, se tudo isso fosse real. Pena, mas não foi; e bem que seria interessante.